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Cusco [Peru] os Incas

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Algumas curiosidades sobre os Incas

Cultivavam a cocaína, mas, antecipando a legislação atual, proibiam seu uso, que era autorizado apenas aos mensageiros dos correios da época que corriam extenuados e precisavam de uma injeção de ânimo em suas carreiras.

Desenvolveram a batata, alimento calórico resistente que podia ser plantado do nível do mar a grandes altitudes. A batata foi levada para a Europa e salvou os ingleses da fome.

Os Incas não desenvolveram a escrita. Por isso, muito da sua cultura se perdeu e ficou envolta em mistério. Sua linguagem fonética diz muito de sua cultura. Por exemplo, por serem não militaristas, uma mesma palavra significava “militar” e “inimigo”. Por outro lado, havia grande quantidade de palavras para representar os diferentes estágios de embriaguez.

O sol era a grande santidade. Afinal, era o responsável pelo conforto do calor, muito importante numa região alta e fria. O sol também definia o regime da agricultura. O dia 21 de junho era a data mais importante do ano. Era o solstício de inverno, quando o sol mais se inclinava em sua trajetória durante o dia. E se ele continuasse indefinidamente a se afastar do alto do céu? Os sacerdotes controlavam seus movimentos e tentavam prendê-lo com construções de pedra que registravam esse santo dia. Por garantia, lindas virgens eram sacrificadas para manter satisfeito o poderoso deus. Imaginem a alegria da moçada quando o sol voltava a passar mais alto no céu nos dias que se seguiam ao 21 de junho?

Cusco [Peru] Comer

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Os restaurantes de Cusco têm padrão suficiente para receber os comensais mais exigentes. Encontrei algumas boas opções por lá.

Cheguei assustado com as recomendações sobre os efeitos da altitude. Comi pequenas porções e só bebi vinho no terceiro dia em Cusco. Também não comi os famosos pratos de peixe da região, onde se destaca o ceviche. Como podem ver, fui cauteloso. Não tive problemas.

Logo no primeiro dia, no final da tarde, depois de cumprir o ritual de tomar chá de coca e descansar no hotel, procurei um lugar no Centro, na Plaza de Armas. Acertei. Junto ao escritório da Perurail, encontrei o Limo – Cocina Peruana & Pisco Bar. Local privilegiado num 2o andar dando para a Plaza de Armas. O lugar é bom e cheguei nele sem seguir nenhuma dica. Deixo a minha recomendação.

Cicciolina
Simpático restaurante num 2o andar de sobrado. Movimentado a noite. Esqueci de fazer reserva e tive que me contentar com balcão. Mas o resultado foi positivo. Atendimento atencioso. Vale a visita.

Restaurante Baco
É do mesmo dono do Cicciolina. Vinhos acima de 100 soles. Uma taça de vinho comum argentino fica em oito dólares, ou seja, perto do preço do Brasil. Pratos bonitos e saborosos. Comi uma carne com ravioles verdes que agradou bem. Delicia.

Restaurante A Mi Manera.
Junto do Cicciolina, parecendo um pouco mais barato e mais simples. Experimentei de entrada uma pizza feita sobre massa de batata. Gostei. Dá pra duas pessoas. Um filé com polenta por 46 soles foi boa escolha para o prato principal.

Jack’s
Fica na esquina antes da ladeira que leva a San Blas. Um café com brownie ali é bom motivo para fazer um intervalo nos passeios. Os sanduíches da casa são bem apresentados e podem substituir uma refeição. Para matar a sede na caminhada, recomendo provar o ice tea clássico com limão e canela. De noite, é um point da cidade.

Tentei ir no MAP. Não consegui. Cheguei sem ter reserva, às 19h. Não havia nem uma mesa ocupada. O garçom me informou que o restaurante estava lotado. Tudo reservado. Me impressionou a organização. Ou, talvez, não tenham querido atender o desavisado. Bem, o menu completo do dia era coisa de 60 dólares. Perdi a oportunidade.

Outro que não fui foi o restaurante Incanto, perto da Plaza de Armas. Tem fama de boa comida italiana. Reservei, mas tomei outro rumo e fui parar no Baco.

Para tomar um café no estilo internacional e atualizar o correio, há um Starbuck´s na Plaza de Armas, também num segundo andar.

Cusco [Peru] Machu Picchu

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Hiran Bingham, que descobriu as ruínas de Machu Picchu em 1911, descreve assim em seu livro A Cidade Perdida dos Incas, sua chegada ao santuário, quando encontrou índios vivendo no local:

“Pouco depois de meio-dia, já completamente exaustos, atingimos um pequeno platô coberto de grama a uma altitude de 600 metros acima do leito do rio. Ali, vários índios de boa índole, impressionados com nossa inesperada chegada, nos receberam com alegria, oferecendo vasilhas com água fresca e deliciosa. Então, eles colocaram diante de nós algumas batatas doces cozinhadas. Dois fazendeiros índios, Richarte e Alvarez, haviam recentemente escolhido esse ninho de águias para ser sua morada. Eles disseram que encontraram ali muitos terraços onde poderiam fazer crescer suas plantações. Rindo, eles admitiram que gostavam de estar ali livres de visitantes indesejáveis, tais como militares procurando “voluntários” ou cobradores de impostos.”

Estava descoberta Machu Picchu. Aquele local no alto da montanha, que servia para os índios plantarem e se esconderem das cobranças da sociedade, com o movimento turístico atual, produz cerca de um bilhão de dólares por ano para a economia peruana.

Fui a Machu Picchu no esquema de ir e vir no mesmo dia. Funciona. Entretanto, a proposta de viajar na véspera para Aguas Calientes, dormir lá e subir de manhã cedo de ônibus para assistir o nascer do sol nas montanhas oferece a oportunidade de ver o grandioso cenário de montanhas envolto na névoa. É espetacular. Com o jogo de luzes do amanhecer, o visual e fotos são uma maravilha.

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Cusco [Peru] viagem de trem Cusco a Machu Picchu

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Dá para ir e voltar de Machu Picchu no mesmo dia. Entretanto, a proposta de viajar na véspera para Aguas Calientes, dormir lá e subir de manhã cedo de ônibus para assistir o nascer do sol nas montanhas oferece a oportunidade de ver o grandioso cenário de montanhas envolto na névoa da manhã.

A viagem de trem de Cusco para Aguas Calientes é parte da beleza da visita a Machu Picchu. Não se esqueça de validar o tíquete que comprou pela internet, em um dos escritórios da Perurail na cidade. Há um na Plaza de Armas. Para pegar o trem de manhã deve-se ir até Poroy, na saída da cidade, onde fica a estação de trem. A ida do Centro de Cusco a Poroy leva 15 minutos. Um taxi para levar do Centro de Cusco à estação e pegar em Poroy na volta custou 90 soles (se você negociar pode sair mais barato). Para pegar o trem das 06h40minh dá pra sair de um hotel em Cusco por volta de 6h da manhã.

O trem Vistadome (veja foto acima) é uma boa escolha. Custa US$76 ou, US$104, se você adquirir incluindo o almoço no restaurante do hotel Sanctuary Lodge. O trem de luxo, chamado Hiram Bingham, custa a bagatela de US$389, só a ida. É um exagero, adequado àqueles que podem se permitir. Os luxos incluídos para quem comprar ida e volta incluem almoço gourmet, seleção de vinhos peruanos, ônibus especial para subir para Machu Picchu, guias para grupos de 14 pessoas e um chá depois da visita ao santuário. Deve ser bacana.

A viagem através dos vales que levam a Machu Picchu proporciona imagens magníficas para apreciar. A foto abaixo, mesmo aparecendo o reflexo do vidro do trem, dá o tom da beleza da região.

O lanche servido a bordo é agradável. A música ambiente é repetitiva e cansa um pouco. Teve um momento que me senti no Centro do Rio ouvindo aqueles grupos bolivianos. A região é linda. Não admira que os Incas tenham escolhido esta região para erigir Machu Picchu. No final da viagem o clima muda. Depois de Olantaytambo, surge uma floresta subtropical que lembra o Brasil.

Aguas Calientes

É uma pequena cidade na margem do rio Urubamba. Basicamente, é um conjunto de hotéis e restaurantes que dão suporte aos visitantes que passam a noite ali para visitar Machu Picchu. Dá pra trocar dinheiro na cidade, mas com taxas um pouco piores que em Cusco (por exemplo: Cusco- 259 soles/dólar. Aguas Calientes- 253 soles/dólar).

O trem das 06h40minh chega a Aguas Calientes por volta de 09h30minh. Deve-se tratar logo de pegar um dos ônibus que saem continuamente para o alto da montanha. Os bilhetes do ônibus para subir a montanha custam 17 dólares e podem ser pagos em soles ou dólares.

Depois de visitar Machu Picchu, há a descida de ônibus para Aguas Calientes. O horário do meu trem de volta ainda deixou tempo para bater perna na pequena cidade e vagar pelo mercado junto à estação de trem.

Retorno de trem

Depois da experiência de conhecer Machu Picchu, estava eu planejado e preparado para descansar da aventura. Afinal, levantara às 04h30minh, viajara de trem três horas e quarenta minutos, subira a montanha tal qual um Inca pretendendo se acercar dos seus deuses ou, menos honroso, um turista acabritado saltando pelas famosas ruínas. Pois é, tinha grande expectativa por me aquietar. Esta, entretanto, não era a intenção da companhia de trem Perurail. Vejam o relato da exótica viagem de volta. A foto ao lado, mostra o ambiente ainda tranquilo no confortável trem antes de começarem as atividades programadas pela Perurail para nosso retorno.

Depois de confortavelmente instalado na minha poltrona, torcia para que apagassem a luz e tivessem a sensatez de me deixarem dormir. Engano total. O enlouquecido gerente de marketing da Perurail tinha outras ideias e programara um show para preencher nosso tempo. Logo depois de servirem o lanche, começou o agito. Não posso dizer muito do espetáculo, pois me mantive firme com os olhos fechados durante a função. A música foi colocada nas alturas, num ritmo folclórico que remete ao nosso sofisticado bumba meu boi. Uma criatura portando máscara colorida e cabelos desgrenhados se movimentava possuído pelo corredor do vagão, instigando os passageiros a consumirem a energia ainda restante. O congraçamento de culturas aconteceu. Um grupo de jovens, aparentemente americanos do norte, motivados pelas cervejas consumidas com fartura na alta altitude, entraram no clima. A festa esquentou. Boa parte do trem entrou na brincadeira. As palmas ecoavam frenéticas. Os pobres fatigados do passeio que não embarcaram na festa que se danassem. Através de meus olhos entreabertos, quando eu despertava, pois acreditem, meu cansaço era justo, eu conseguia ter momentos de sono, percebi que aconteceu um tipo de desfile de moda ao som das músicas tribais que fluíam. Os manequins eram os comissários do trem que desempenhavam esta atividade com enorme boa vontade. Foi assim que se passou o primeiro e agitado trecho do nosso regresso a Cusco. Talvez pela minha idade madura, eu não tenha apreendido o sentido da proposta da Perurail. Deixo meu desejo: uma música amena ou nenhuma e luz reduzida teriam me dado a oportunidade de dormir ou meditar sobre a experiência mística de conhecer MP.

Cabe dizer que o retorno agitado no trem não tira o brilho da inesquecível experiência de ver Machu Picchu.

Cusco [Peru] Vale Sagrado

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Vale Sagrado é o segundo melhor passeio em Cusco. O primeiro, é claro, é a visita a Machu Picchu. Comprei na mesma lojinha da Plaza das Armas onde adquiri o passeio City Tour. Vale Sagrado custa cerca de 30 soles. Paguei 50 por dois, ou seja, 25 soles o tíquete. Foi um desconto por eu já ser freguês. A saída é 9h da manhã e o retorno às 18h. Curiosamente, pareceu menos cansativo que o City Tour, que é passeio mais rápido, mas cujas entradas e saídas do ônibus não dão tempo de uma descansada na poltrona. Dica: Ficar atento para a fila de entrada no ônibus. O lugar que você pegar vai valer para toda excursão. O lado direito (lado contrário ao motorista) foi boa escolha. A vista deste lado era bem bonita.

As paradas permitem ensaiar fotos com as pessoas e os coloridos das roupas dos locais.

Se você for no dia da feira de Pisac, a parada é obrigatória, para ver e praticar a arte de pechinchar no colorido mercado de trocas da cidade. Os dias do mercado movimentado são 5a feira e domingo. Fui no sábado, não vi o mercado.

Passamos pela simpática cidade de Pisac e subimos direto para o Mausoléu de Pisac. Veja o caminho no Google Maps. O cemitério Inca no alto da montanha é bonito e proporciona bela vista do vale lá embaixo. Impressionante o empreendimento daquele povo para ficar nas alturas, perto de seus deuses. O sol abriu bem na hora de apreciarmos a paisagem.

Saindo dali, depois de uma viagem de uma hora, voltamos a Pisac para o almoço. Saltamos antes de chegar no restaurante indicado pela excursão. Seguimos um pessoal que saltou. Fomos no Restaurante Maizal, um bufê razoável por 40 soles. Tempuras de cebola e batata estavam honestos. Frango frito na chapa bateu bem. Comi pouco para dar chance ao organismo de processar melhor na altitude.

A próxima parada foi Ollantaytambo. Gostei da intimidade com que a blogueira do Caderno de Viagem trata a cidade: “Ollanta”. Em tempo, ela postou material interessante para quem vai viajar. Seu papo é muito agradável.

Claro que tem por lá uma rocha parecendo rosto de índio que devemos identificar. Típica coisa de turista. A área do parque apresenta uma escadaria de respeito com os tradicionais patamares que os Incas tanto gostavam. A subida faz parte do ritual de visita. Vá com calma. De vez em quando, entre num dos platôs, aprecie a vista e recupere o fôlego. A subida é o teste supremo para saber se você já se aclimatou a altitude. Eu estimo a escadaria num equivalente a uns 15 a 20 andares. Mesmo subindo em etapas (se fosse de uma estirada, ia ser um trabalhão recolher os corpos que ficariam pelo caminho) a coisa é séria. Tem horas que o coração ameaça sair pela boca.

O guia nos ensina que as pedras eram trazidas de uma pedreira que podemos divisar ao longe. Segundo ele, morria muita gente na atividade. Não é pra menos. Minha avaliação era que os Incas, que eram os senhores, mantinham o povo atarefado fazendo palácio de pedra no alto das montanhas. Era uma maneira de manter o povo ocupado. As obras levavam dezenas de anos para serem realizadas. Aquilo de ficar ajustando as pedras deve dar um trabalho danado. A foto abaixo mostra a vista do alto de Ollantaytambo.

É nessa parada que ficam aqueles que vão seguir de trem para Machu Picchu e dormir em Aguas Calientes. Alguns que estavam em nosso ônibus fizeram isso. Parece boa pedida. Você visita Ollanta e toca para Aguas Calientes, dorme e acorda em Machu Picchu.

A estrada na volta é longa, mas a região é bonita. O sol se pondo vai fazendo bom jogo de luz e sombras.

A parada final no Centro Têxtil Andina é bem interessante. A demonstração do trabalho com a lã, criando cores com produtos naturais, gera simpatia nos viajantes. A vontade de comprar é grande. Não esquecer de pechinchar. Faz parte do negócio.

Amanhã será a visita a Machu Picchu!

Cusco [Peru] City Tour e Sítios Arqueológicos

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O passeio custa 15 soles por pessoa, algo como seis dólares. Começa 14h e vai até às 18:30h. Pode ser comprado nas tantas lojinhas de turismo que existem em volta da Plaza de Armas ou na Calle del Sol. Recomendo este como o primeiro passeio para fazer. Como só leva 4h30min, é indicado para o primeiro dia, quando ainda estamos nos adaptando à altitude. Como li em algum lugar, e confirmo, os passeios devem ser feitos nesta ordem: City Tour, Vale Sagrado e, por último, Machu Picchu, dessa forma mantem-se um ritmo crescente de beleza nos sítios a serem vistos.

Não é um city tour típico, visitam-se locais na cidade de Cusco e nos arredores. O passeio começa com a visita ao Convento de San Domingo, construído sobre o antigo palácio Inca (Koricancha) e centro de adoração do deus Sol. O terremoto de 1953 (de 300 em 300 anos tem um desses por lá) destruiu o convento e permitiu que se reconstruísse o prédio para destinação turística. Vale admirar o contraste entre as paredes a prova de terremoto que os Incas construíram e o prédio de arquitetura espanhola. Continue lendo Cusco [Peru] City Tour e Sítios Arqueológicos